terça-feira, 31 de março de 2015

Fórum DCA do Recife convida todas e todos para Reunião de Mobilização para o dia 10 de abril

Hoje, dia 31 de março, a partir das 14h haverá uma reunião de mobilização para o dia 10 de abril - Dia Nacional Contra a Redução da Maioridade Penal. A mesma acontecerá no Conselho Estadual de Direitos da Criança e Adolescente (CEDCA/PE).

Considerando o cenário referente a temática da Redução da Maioridade Penal, o Fórum de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes do Recife (Fórum DCA do Recife) acha necessário uma articulação maior na luta na defesa radical dos Direitos das Crianças e Adolescentes do Estado de Pernambuco. 

Com isso, o Fórum DCA do Recife, convida o Fórum Estadual de DCA, o FEPETIPE, a Rede de Enfrentamento, as Associações de Conselheiros Tutelares, Movimento Nacional de Direitos Humanos – PE, Conselhos Estadual e Municipal de Direitos Humanos, Observatório de Direitos Humanos, Comitê de Direitos Humanos, Conselhos Municipais de Direitos da Criança e do Adolescente e o CEDCA a compor uma Frente Ampla de Mobilização contra a Redução da Maioridade Penal.


quinta-feira, 26 de março de 2015

ONGs promovem workshop sobre regularização fundiária para magistrados do judiciário



Com o tema "A atuação do judiciário e do ministério público na regularização das ZEIS" o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e a Habitat para a Humanidade Brasil (HPH Brasil) estarão realizando um workshop sobre regularização fundiária para magistrados do judiciário. O evento acontece entre os dias 26 e 27 de março, no Fórum Rodolfo Aureliano, e tem como parceria com a Associação dos Magistrados do Estado de Pernambuco (AMEPE), a Procuradoria Cível do Ministério Público de Pernambuco e Escola Judicial do TJPE.

Conduzindo duas oficinas do workshop, os representantes de ambas as organizações realizarão painéis e debates dentro da temática da posse segura da terra. O evento conta, ainda, com exposição dos desembargadores Jones Figueiredo Alves e José Fernandes Lemos (TJPE).

As Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) são áreas demarcadas no território de uma cidade para assentamentos habitacionais de população de baixa renda. A proposta nasceu em Recife na década de 80 visando flexibilizar normas e padrões urbanísticos para, através de um plano específico de urbanização, regularizar o assentamento e garantir o acesso à posse segura da terra. Em 2001, a iniciativa foi incorporada ao Estatuto das Cidades, tornando-se um importante instrumento urbanístico para as cidades brasileiras.  Contudo, as famílias que vivem em ZEIS precisam passar por processos judiciais para garantir a posse da terra e, muitas vezes, estes processos duram mais de dez anos. Algumas ações em trâmite no judiciário pernambucano chegam a datar de 1996, ainda sem solução.


“Com esta oficina, esperamos sensibilizar os magistrados para que deem prioridade a esses processos que envolvem comunidades carentes do Recife”, diz Ronaldo Coelho, assessor jurídico da Habitat Brasil, organização cujo foco é o direito à moradia. “O poder judiciário tem um importante papel na garantia do direito à moradia das áreas ZEIS. Essa oficina é um momento para dialogar com o Ministério Público sobre essa questão”, complementa Alexandre Pachêco, advogado do Cendhec. 

Além do judiciário, o evento contará com presença de representantes de comunidades envolvidas nas ações de regularização fundiária, representantes do PREZEIS e movimentos populares.  

Programação

Quinta-feira (26 de Março)

09h00 – Abertura
AMEPE – Exmo. Sr. Dr. Desembargador Antenor Cardoso
Escola Judicial do TJPE – Exmo. Sr. Dr. Desembargador Ricardo Paes Barreto
Ministério Público – Exmo. Sr. Dr. Procurador Francisco Sales de Albuquerque
HPH Brasil – Dr. Ronaldo Coelho

09h30 – Painel: Estudo de caso sobre situação de ações de usucapião no Recife.
Cendhec - Dr. Alexandre Pachêco

10h20 – Exposição dos Exmos. Desembargadores do TJPE Jones Figueiredo Alves e José Fernandes Lemos.
10h50 – Debates abertos ao público
12h00 – Encerramento do primeiro dia.

Sexta-feira (27 de Março)

09h00 – Apresentação de propostas de procedimento para as ações de usucapião.
10h20 – Debates e contribuições dos participantes
12h00 – Encerramento


segunda-feira, 23 de março de 2015

Cendhec elabora Nota Pública com seu posicionamento contrário a Redução da Maioridade Penal


Imagem: Oficina de Imagens

NOTA PÚBLICA

O Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social - Cendhec, entidade da sociedade civil que tem a missão, dentre outras, defender e promover os direitos humanos de crianças e adolescentes vem manifestar seu posicionamento CONTRÁRIO ao conjunto de Propostas de Emendas Constitucional existentes no Congresso Nacional, cuja finalidade é alterar o art. 228 da Constituição Federal de 1988 para reduzir a Maioridade Penal e dar o mesmo tratamento a adolescentes e adultos.

Inicialmente sugerimos a todos e todas, a considerar que nós, de alguma forma, temos responsabilidades e deixamos marcas na trajetória e história de vida desses adolescentes que, pela negação de direitos, ausência dos pais/responsáveis, ação e omissão da sociedade e do estado, encontra-se em prática de ato infracional ou vulneráveis a ela. Nesse sentido, iniciamos nosso diálogo com uma lição do Gonzaguinha, nos ilumina que nos chama a refletir:

“...E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente;
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas.”
(Gonzaguinha. Caminhos do Coração)

Nesse momento de reflexão, apresentamos alguns aspectos relevantes que nos fundamenta a ser radicalmente CONTRA a Redução da Maioridade Penal:

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Latino Americano das Nações Unidas para Prevenção e Tratamento do Delinqüente (ILANUD), 10% do total de crimes no Brasil, são cometidos por jovens. Desse montante, cerca de 87% são atos contra o patrimônio, como roubo e furto, e não contra a vida. E os atos infracionais cometidos contra vida por adolescentes equivalem a menos de 2%. Em contraponto a esta constatação, o que se vê é um elevado nível de responsabilização dos adolescentes, posto que, em levantamento realizado em anos anteriores, considerando um período de 10 anos, os 90% dos “crimes” cometidos por adultos levou a duplicar o número de encarceramentos. Entretanto, identificamos que neste mesmo levantamento, foi constatado que para aqueles adolescentes que cometeram os 10% dos “crimes”, ou seja, a minoria, o número de adolescentes em regime de internação simplesmente quadriplicou, (397% de elevação do índice). Na mesma pesquisa é revelado que das violências cometidas contra a pessoa no país, mais de 40% ocorrem contra os adolescentes e jovens.

Essa questão desfaz o mito de que nada acontece com o adolescente que comete o ato infracional. Isso também é reforçado pelo fato de que o adolescente infrator pode ficar até nove anos respondendo por seus atos, através da progressão de medidas. Para especialistas em justiça juvenil, a punição pode até ser mais rigorosa do que a dispensada a um adulto. Por exemplo, um adulto pode responder por a uma acusação de homicídio em liberdade, já o adolescente não, esse vai direto para o internamento.

Diante disso, ocorre que as infrações praticadas por adolescentes ganham grande visibilidade e repercussão na mídia, causando uma falsa impressão de que o número de atos cometidos por adolescentes são elevados. Essa situação, além de desinformar a população sobre a verdade dos fatos, termina que a induz a um erro de julgamento e consequentemente deflagra uma campanha a favor da redução da maioridade penal, sem nenhuma base legal, científica e social.
Em nome da verdade e de uma postura justa, basta que se busque as informações nas Varas de Infância e Juventude, Delegacias Especializadas e outras fontes, que qualquer reporte ou cidadão comprovará que o alarde midiático e sensacionalista nestes casos não condiz com a realidade em números e em fatos, prova disto é que a cobertura de um episódio envolvendo um adolescente como autor da infração, repercute semanas na mídia, já os cometidos por adultos, imensamente em maior quantidade, tem bem menos repercussão e visibilidade, assim como os assassinatos de jovens no Brasil, que não repercute tanto como deveria (ver mapa da violência).

O discurso fácil daqueles que, ao invés de combaterem de forma efetiva e eficaz as VERDADEIRAS causas da violência, pregam o ataque a seus efeitos, contribuindo apenas para a perpetuação e agravamento do problema da violência.

Em termos de reincidência, o regime prisional para adultos apresenta índice elevado, beirando os 90% de reincidência, já o Regime de Internação para adolescentes chega a quase 60%. Considerando que as unidades de internação ainda não estão cumprindo devidamente o que rege o SINASE, negando dessa forma a vivência do processo socioeducativo.

Portanto, está mais do que provado que a punição pura e simples, bem como a quantidade de pena prevista ou imposta, mesmo para o adulto, não é um fator de diminuição da violência.  Dessa forma, acreditar que com a redução teremos comprovada a equação: “mais tempo de punição=menos crimes” é acreditar num MITO, concretamente a equação que pode funcionar é: Direitos efetivados = diminuição da violência.

Diante deste contexto, onde está o respeito à condição de pessoa em desenvolvimento e ao princípio da brevidade? O afastamento que, em tese, deveria ser temporário, passa a ser duradouro. Depois de anos de lutas, nacionais e internacionais, pela garantia de direitos, o Brasil está se propondo a uma política de segregação infanto-juvenil.

Não necessitamos de propostas simplistas, imediatistas e reducionistas de direitos. O Estado precisa favorecer a institucionalização do Sistema de Garantia de Direito, fundamentado no Art. 86 do ECA, fornecendo condições para que os órgãos públicos integrantes dele, implementem as políticas públicas e, atuando articuladamente com a sociedade civil, previnam violações e defendam direitos de crianças e adolescentes.

Então, com este sentimento, convocamos a todos e todas a serem proativos, a pesquisarem, a conhecer o tema, e com base em dados e pesquisas que revelam a verdade, não se iludirem com “argumentações” carregadas de senso comum, sem aprofundamento e comprovação, evitando dessa forma o risco de ser massa de manobra, daqueles e daquelas que fazem uso fácil e manipulado da opinião pública, não assumindo suas verdadeiras responsabilidades com as questão sociais no Brasil. E nesse aspecto, o Nelson Rodrigues nos faz pensar!

“É fácil livrar-se das responsabilidades.
  Difícil é escapar das conseqüências
 por se ter livrado delas”
(Nelson Rodrigues)


O momento é de nos unirmos e juntos fazer valer os Direitos das Crianças e Adolescentes nesse País, em todos os aspectos, direcionando nossas forças e energia para o cumprimento do que rege a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o SINASE.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cendhec colabora em formação realizada pelo FNRU

Na última segunda-feira, 09, o Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social (Cendhec) colaborou na formação realizada pelo Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU), em Brasília.


Na ocasião, foram analisados os objetivos e formas de atuação do FNRU nesse importante espaço de gestão democrática e participativa. Além disso, foi realizada ampla análise do atual contexto para a política de desenvolvimento urbano.



Através do advogado e membro da coordenação do Cendhec, Alexandre Pachêco, foi realizada a facilitação na formação. No local, ele apresentou os avanços e desafios nos temas tratados pela Secretaria Nacional de Acessibilidade e Programas Urbanos.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cendhec solidarizar-se com os/as familiares e amigos/as dos Conselheiros Tutelares do Município de Poção-PE



NOTA PÚBLICA

O Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social – Cendhec, entidade da sociedade civil que tem a missão, dentre outras, de defender e promover os direitos humanos de crianças e adolescentes, vem a público solidarizar-se com os/as familiares e amigos/as dos Conselheiros Tutelares do Município de Poção-PE assassinados: Daniel Farias, Carmen Lúcia Silva e Lindenberg Nóbrega, assim como, familiares e amigos/as da senhora Ana Rita Venâncio.

Os conselheiros/as tutelares exercem papel essencial numa sociedade que cada vez mais violenta suas crianças e jovens. Sua atuação representa um avanço histórico na busca pela consolidação de um Sistema de Garantia de Direito da infância e juventude que está longe de ser perfeito, mas que na sua ausência nada teríamos.

Infelizmente, são públicos os riscos que estes/as Defensores/as de Direitos Humanos têm enfrentado cotidianamente para salvaguardar os direitos das nossas crianças e adolescentes. As vidas de muitos/as estão ameaçadas porque eles/as são a primeira ferramenta nas mãos da comunidade para enfrentar situações como abandono, negligência, exploração, violência, crueldade e discriminação, entre outras violações de direitos.

Lamentavelmente, quando estes são os ameaçados, não são raras as vezes em que o silêncio é a resposta do Poder Público e da comunidade que defendem.

Assim, diante dessa representativa tragédia e desse contexto de violência, também nos solidarizamos com todas/os Conselheiras/os Tutelares de Pernambuco e no Brasil, que em suas trajetórias de atuação tem enfrentado situações de risco no cumprimento de sua missão.

Sob o risco de alimentar o medo e propiciar o desmantelamento dos conselhos tutelares, o Estado deve intensificar todos os esforços para a responsabilização de seus algozes e mandantes, além de trabalhar de forma contínua na defesa de todos/as Defensores/as de Direitos Humanos no exercício de suas funções.

Nesse sentido, o Cendhec, enquanto Centro de Defesa de Direitos Humanos, estará presente nas mobilizações e ações da Sociedade Civil exigindo e contribuindo para a Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes e nas ações de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.

Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social – Cendhec



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Organizações se mobilizam em prol dos defensores dos direitos humanos




Nesta quinta-feira (12), em referência ao assassinato dos Conselheiros Tutelares do Município de Poção-PE: Daniel Farias, Carmen Lúcia Silva e Lindenberg Nóbrega, e da avó Ana Rita Venâncio, Conselheiros Tutelares, agentes do sistema de garantias e defensores dos direitos humanos de todo o país se mobilizarão com o objetivo de fazer a sociedade refletir sobre os riscos que estes vêm sofrendo no exercício de sua função. Em Recife, um ato ecumênico seguido de uma mobilização política, no Salão Nobre da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), a partir das 15h, marcarão a mobilização sociedade pernambucana.

Os atos são convocados pelo Fórum Colegiado Nacional dos Conselhos Tutelares, o CEDCA-PE, o Fórum DCA-PE, a Associação Metropolitana de Conselheiros e Ex-conselheiros Tutelares de Pernambuco, a Escola de Conselhos de Pernambuco, e as entidades que atuam na defesa, promoção e garantia dos direitos humanos. Esta mobilização alcançará todo o país, com a paralisação dos Conselhos Tutelares por 24 horas. Pretende-se, ainda, realizar atos públicos para exigir das autoridades responsáveis a plena aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente e uma política de proteção à vida dos Conselheiros Tutelares e dos defensores dos direitos humanos em geral.

Tais ações partem da compreensão dos constantes ataques dirigidos aos defensores de Direitos Humanos e do substancial aumento da violência em Pernambuco – que tem condenado adolescentes, jovens e atores do Sistema de Garantia de Direitos a mortes violentas e não investigadas pelo Estado e reiteram que a militância em defesa dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes no estado de Pernambuco permanece como meta e prioridade para seus agentes.

Ato em memória dos defensores dos Direitos Humanos
Data: 12/02
Horário: 15h
Local: Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife – PE.

PROGRAMAÇÃO
14h – Coletiva de Imprensa (auditório da Pró-Reitoria de Extensão da UFRPE)
15h – Ato Ecumênico
16h – Ato político: Lançamento Manifesto no Salão Nobre da Reitoria da UFRPE
17h – Caminhada e vigília (praça do horto)


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Tribunal de Justiça de Pernambuco reafirmou o acesso à justiça e o direito a moradia das comunidades ZEIS.

Na última segunda, 12 de janeiro, a Corte Especial do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), discutiu se era possível que moradores de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) regularizassem seus imóveis através de ações de usucapião individual.

O motivo do debate foi o entendimento de alguns juízes do primeiro grau que defendem ser impossível para um(a) morador(a) de baixa renda, residente em qualquer uma das 68 ZEIS de Recife, regularizar sua moradia por meio da usucapião. Para esses magistrados,  só seria possível a regularização da área ZEIS como um todo e de uma só vez. Para isso seria obrigatório que toda a comunidade entrasse com uma única ação coletiva em que todos os moradores da área fossem autores da mesma.

O entendimento desses magistrados, nos últimos seis anos, gerou quase 300 (trezentas) decisões negativas nas diversas ações de regularização fundiária que correm na justiça estadual. O Centro Dom Helder Câmara de Estudos e ação social (Cendhec), promotor de mais de 1200 ações judiciais de usucapião para regularização fundiária foi um dos principais sujeitos políticos nesse debate.

O Cendhec, desde o aparecimento das decisões que sustentavam essa tese, vem recorrendo ao TJPE e demonstrando que não existiam bases legais que impedissem as ações de usucapião. Assim, a adoção da tese da impossibilidade apenas funcionaria como uma barreira entre as comunidades e o poder judiciário. Mais do que isso, a adoção definitiva dessa tese não só impediria que as comunidades que hoje pedem a regularização atingissem esse objetivo, como também impediria que qualquer morador de ZEIS, de qualquer município de Pernambuco, no futuro, pudesse entrar com uma ação de usucapião para regularizar seu imóvel.

O debate do tema foi chamado pelo Desembargador Jones Figueiredo, que é relator de um dos recursos apresentados pelo Cendhec. Tendo identificado decisões diferentes sobre o mesmo tema, o Desembargador optou por provocar a Corte Especial do TJPE para que esta unificasse os entendimentos.

Após uma longa espera, os representantes do Cendhec, da associação Habitat Para a Humanidade Brasil e do Fórum do PREZEIS receberam a notícia de que o último processo a ser analisado naquela tarde seria o “incidente de uniformização de jurisprudência” aguardado. O desembargador relator havia solicitado à presidência e aos colegas desembargadores que este processo fosse julgado ainda naquela tarde, pois havia no plenário representantes das comunidades ZEIS que aguardavam por aquela decisão.

Inicialmente, o Ministério Público solicitou a palavra e defendeu eloquentemente a possibilidade dos moradores ajuizarem ações de usucapião. Tratava-se de forma de garantia do direito à moradia a ser defendido pelo judiciário.

Após a apresentação do relatório do processo, seguido pela sustentação oral realizada pelo advogado e membro da coordenação do Cendhec, Alexandre Pachêco, o Desembargador Jones Figueiredo apresentou seu voto. Demonstrou o Desembargador que concordava com os argumentos apresentados pelo Cendhec e compreendia plenamente que a Constituição Federal e o Estatuto da Cidade ofereciam aos moradores de ZEIS duas possibilidades para regularização fundiária e que não poderia o magistrado obrigar a comunidade inteira a se reunir numa única ação.

Após rápido debate a corte passou a votação e Desembargador após Desembargador o TJPE afirmava o acesso à justiça e o direito à moradia como valores de cidades em busca de justiça. O voto do desembargador Relator foi adotado por unanimidade e o encerramento aplaudido pelas lideranças que num raro momento se enxergavam no poder judiciário.